“Exemplo não é a melhor forma de educar, é a única” (Albert Schweitzer)
O debate sobre a educação das crianças é bastante antigo mas nem por isso ultrapassado ou pouco importante. Os pais delegam que a escola deve educar as crianças e, em contrapartida, a escola argumenta que deve ensinar o conteúdo curricular e que determinados assuntos devem ser ensinados à criança em sua casa, pela sua família. O “jogo de empurra” segue e ao julgar pela geração de jovens que vêm sido formada, todos deveríamos rever nossas posições.
O disparador do processo educativo não é este ou aquele ambiente específico. A criança aprende o tempo todo, em todos os lugares. Quer você queira, quer não, já está ensinando algo às crianças que convivem com você. Há um provérbio africano que diz: “É preciso uma comunidade inteira para educar uma criança”, e essa é a mais pura verdade. A não ser que você seja capaz de isolar seu filho ou filha do contato com o mundo, ele sempre aparecerá com algo que não foi você quem o ensinou. Você terá que saber como lidar com isso e essa é uma tarefa sem descanso.
O que é preciso ter em mente, é que educação é um processo a longo prazo. Ensina-se hoje para ver o resultado amanhã. As grandes mentes da história foram frutos de um processo educativo. Não unicamente o que Paulo Freire chamou de educação bancária, mas sim uma educação para o desenvolvimento humano, que visa transmitir valores para a vida. E quais são alguns desses valores? Conhecer e respeitar os limites, ser capaz de escolher o que é melhor para si, saber identificar e nomear seus sentimentos, saber conviver com outras pessoas e respeitar as diferenças, saber trabalhar em grupo e compartilhar, saber canalizar sua criatividade e ousadia para ações construtivas, só para nomear alguns destes valores.
Freqüentemente recebo demandas de pais de adolescentes pedindo que eu “Dê um jeito”, na rebeldia de seus filhos. Não se pode achar que uma sessão de 60 minutos vá solucionar uma personalidade que não respeita os limites e que viveu anos se desenvolvendo naquela direção. O que se pode fazer é tentar recuperar o tempo perdido, mostrando que os limites devem ser respeitados. Bater, gritar e xingar uma criança quando ela comete algum erro não significam que a mãe ou o pai a está educando. Significam que esse adulto está descarregando sua raiva, mas não necessariamente está levando a criança a refletir sobre o que fez. A prova disso é que com o passar do tempo os gritos e tapas acabam se tornando uma rotina e perdem o efeito que os pais planejaram. Compreendendo a educação como um processo integral, entende-se também que o viés educativo permeia tudo o que cerca a criança: livros, brinquedos, brincadeiras, desenhos animadas, etc. Tudo isso educa e transmite valores. Daí a importância de se preservar o ambiente que se quer para educar uma criança, e de se instrumentalizá-la para saber como agir quando se está diante de situações diferentes. Em tempos cada vez mais individualistas, vale reforçar a importância do provérbio africano: “É preciso uma comunidade inteira para educar uma criança”.
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