texto: roberta federico

Transtornos alimentares na infância

3 de abril de 2011

Nos últimos anos as notícias sobre os transtornos alimentares têm circulado com freqüência pelos meios de comunicação difundindo cada vez mais informações sobre Anorexia e Bulimia. Em ambos os casos a obsessão pela magreza e a presença de auto-imagem corporal distorcida são fatores marcantes. O que difere fundamentalmente a Anorexia da Bulimia é o método que a pessoa doente utiliza para manter-se magra. Enquanto na Anorexia o doente adota uma dieta com alta restrição calórica, a Bulimia é caracterizada por episódios de compulsão alimentar seguidos de purgação (excesso de exercícios físicos, indução ao vômito ou uso de laxantes).

Estes transtornos são mais freqüentes em jovens do sexo feminino, mas existem outros transtornos que podem surgir antes dessa faixa etária e sem qualquer restrição de sexo. Um deles é o Pica, doença caracterizada pela ingestão compulsiva e persistente de substâncias que não são culturalmente aceitas como alimentos: terra, barro, cabelos, insetos e etc. A ocorrência de Pica é muito comum em crianças com algum retardo mental e o grande risco que se corre nessas situações é o de intoxicações alimentares.

Outro problema comum entre crianças é a Seletividade Alimentar ou Picky Eating. Não são raras as histórias em que os pais relatam que seus filhos em idade pré-escolar só comem determinado tipo de alimento recusando qualquer de alteração nesse cardápio pré-estabelecido.

Na abordagem clínica dos transtornos alimentares na infância costuma-se trabalhar tendo a família como foco, por entender que os adultos responsáveis pela criança têm muito mais informação sobre a dinâmica comportamental da mesma, além de serem os responsáveis pelo preparo das refeições. Além disso, o estudo realizado por Fisberg e cols, aponta como algumas das causas psicossociais possíveis da Seletividade Alimentar:

  • distúrbios da dinâmica familiar;
  • distúrbios emocionais da criança;
  • desmame e/ou introdução alimentar inadequados;
  • falta de conhecimento dos pais a respeito do desenvolvimento do comportamento alimentar da criança;
  • condições ambientais físicas desagradáveis;
  • desacerto entre horários de sono e/ou escolares e horário de alimentação.

Este artigo não tem como objetivo estimular o auto-diagnóstico e sim contribuir na democratização de informações que podem ser úteis para quem vivencia este tipo de problema com a alimentação das crianças. Seguem então 10 dicas para estimular uma alimentação saudável nos pequenos:

  1. Respeite o apetite da criança (ou a falta dele!) - Se a criança não estiver com fome, não a obrigue a comer e nem a "limpar" o prato. Isso pode reforçar uma associação negativa com a comida.
  2. Mantenha rotinas - Sirva os lanches e refeições sempre nos mesmos horários. Quando a criança estiver com fome, a probabilidade de seu cardápio ser consumido com sucesso é maior.
  3. Seja paciente com na inserção de novos alimentos - Crianças pequenas costumam manusear os novos alimentos antes de ingerí-los. Incentive seus filhos a explorar o novo alimentos: sua cor, textura, cheiro...
  4. Torne as coisas mais divertidas - Investir na ludicidade é uma boa aposta quando se fala de alimentação infantil. Transformar os alimentos em personagens pode ser uma boa idéia.
  5. Peça ajuda a seu filho - No supermercado ou sacolão, peça para a criança escolher as melhores frutas e legumes. Se você não quer que seu filho coma determinado tipo de alimento, não o compre.
  6. Dê um bom exemplo - Se você quer que seus filhos tenham uma boa alimentação, cuide também da sua.
  7. Capriche nas receitas - Adicione ingredientes saudáveis às receitas que for preparar.
  8. Minimize as distrações - Desligue a TV durante as refeições e retire da mesa os brinquedos e livros que possam distrair a criança.
  9. Não ofereça a sobremesa como recompensa - Isso pode passar a mensagem de que a sobremesa é mais importante que a refeição em si e vai aumentar o desejo da criança por doces. Ofereça sobremesa só em alguns dias da semana, e dê preferência à frutas, iogurtes e outros alimentos saudáveis.
  10. Não faça só as receitas que seu filho gosta - Preparar uma refeição diferente depois que a criança rejeita a primeira oferta pode incentivar a criança a manter esse comportamento exigente. Insista com as opções de alimentação saudáveis até que a criança se habitue.

Essas dicas não garantem a transformação do comportamento de Seletividade Alimentar do dia para a noite, mas são pequenos passos que podem ser tomados no dia-a-dia e que podem prevenir o surgimento de transtornos mais graves no futuro.




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